Poucas pessoas conhecem nossa história, como nos conhecemos, como começamos a namorar, o que desencadeou nosso namoro e sempre que contamos como tudo aconteceu, todo mundo se surpreende, porque ficamos um tempo distantes, um do outro, antes de decidirmos pelo casamento.
Nos conhecemos na faculdade no dia 19/06/1996, começamos a namorar uma semana depois de termos o primeiro contato, ou seja, em 26/06/1996. Nosso namoro foi meio tumultuado, meu pai não aceitava, achava que eu tinha que me focar apenas nos estudos, enfim, passamos por momentos muito difíceis.
Com o final da faculdade, veio também o fim do namoro. Eu era extremamente ciumenta, daquelas insuportáveis mesmo, e Carlos chegou a um ponto que não aguentava mais. Então acabamos nos separando. Nem preciso dizer que sofri muito, chorei por um bom tempo, não entendia porque duas pessoas que se gostavam tanto tinham que se separar. E ele também sofreu, apesar de se fazer de durão, de ter sido curto e grosso comigo numa das últimas vezes que nos falamos neste período pós-término de namoro. Mas resolvemos nos distanciar.
E aí se passaram 2 anos. Dois anos sem contato nenhum. Tínhamos amigos em comum, mas eu optei por não saber nada sobre ele, e achava que da parte dele era a mesma coisa. E então, meus pais resolveram ir embora para o interior. Estavam se aposentando e queriam uma vida mais tranquila. Eu e meu pai, fomos pra Rio Preto, escolhemos a casa, começamos a fazer as reformas necessárias, e quando estava tudo pronto, faltando apenas um mês pra mudança, Carlos entrou em contato comigo, perguntando se iamos mesmo pro interior, que uma amiga da gente havia dito pra ele que eu iria embora de São Paulo e perguntou se ele podia ir até minha casa, pra se despedir de mim e da minha mãe.
E ele foi. Chegando lá, começamos a conversar. Minha mãe, que sempre gostou muito dele, fez de tudo para ficarmos à vontade, e passamos o dia todo conversando, falando sobre o passado, contando as novidades, o que estávamos fazendo, no que estávamos trabalhando, o que mudou durante o tempo em que ficamos separados, e então, ele me perguntou se eu não gostaria de voltar a namorar com ele, disse que nunca tinha deixado de me amar. E logo de cara, eu disse que pra mim, namoro à distância não daria certo. Não iria me sentir bem namorando com uma pessoa que morava há 500 km de distância. Que não ia me contentar com uns poucos finais de semana juntos. E disse que havia sim uma solução pra ficarmos juntos, e a solução seria o casamento.
O mais engraçado foi que ele nem se assustou. E eu também, falei de uma maneira tão natural, que nem parecia que havíamos ficado longe um do outro por 2 anos. E decidimos ali mesmo, no dia que nos reencontramos, após 2 anos sem nenhum tipo de contato, que iríamos nos casar. No dia seguinte, fomos até o cartório e marcamos o casamento pra um mês depois.
Nem preciso dizer o reboliço que causamos nas famílias, principalmente na minha. Meu pai, ficou totalmente inconformado, afinal, eu tinha escolhido a casa com ele, ele tinha reformado um quarto todo pra mim, um banheiro só meu, fez de tudo pra me agradar, e a notícia do casamento, foi recebida por ele, como uma traição. O resto da família, de cara, achou que eu estava grávida e estava me casando às pressas por conta disso.
Uma amiga que trabalhava comigo na Vivo, na ocasião, me ligou no dia seguinte, pra confirmar sobre o final de semana, porque tínhamos combinado de sair juntas, e eu disse, que não ia mais, porque ia casar. E ela riu. Achou que eu estava brincando. E fiquei horas e horas explicando pra ela tudo o que tinha acontecido, pra ela entender e aceitar que era verdade, que eu não estava brincando, mas ainda assim ela achou – e com razão- que eu estava louca.
E então chegou o dia do casamento, e nos casamos. Meu pai não foi ao casamento, apenas minha mãe. E eu procurava entender. E chegou o dia de meus pais irem embora, de mudança pro interior, e quando fui me despedir de meu pai, ele simplesmente se virou de costas pra mim, e aquilo pra mim foi o fim. Voltei pra minha casa chorando muito, um misto de sentimentos, muito feliz por ter casado e infeliz por ter “perdido” meu pai.
Só depois de 5 meses, meu pai resolveu que não aguentava mais ficar sem falar comigo e me ligou. Me chamou pra passar uns dias lá no interior, com eles. Eu disse, que iria, se meu marido pudesse ir junto, porque uma vez casada, estaria sempre na companhia dele, e se ele não pudesse ir, eu também não iria. Meu pai disse que tudo bem. E lá fomos, nós dois. Eu morrendo de medo, do tratamento que meu pai daria ao Carlos. E confesso que nessa primeira vez, não foi muito bom. Eles falavam apenas o essencial, não conversavam, meu pai não sentava à mesa com a gente.
E aí, depois de dois anos eu engravidei, e com a minha gravidez, tudo mudou. Íamos pra casa dos meus pais com mais frequência. Eu fazia questão que eles acompanhassem minha gravidez ao máximo, mesmo morando longe. Meu pai foi se aproximando do Carlos, começaram a “se conhecer” melhor, e com o tempo, se tornaram super amigos.
Hoje em dia, quando meu pai precisa de alguma coisa daqui de SP, liga em casa e é com Carlos que ele quer falar. Quando vamos pra lá, em todos os lugares que ele vai, arrasta Carlos com ele. Quando encontra algum conhecido na rua, e está com a gente, nos apresenta e aí notamos o orgulho nos gestos e na voz dele. Porque na verdade, Carlos se tornou um filho também. Faz por eles, o que muitos filhos não fazem nem nunca farão pelos pais. Trata com respeito, com carinho e é um genro dedicado, assim como é um filho, irmão, tio, amigo, marido e pai maravilhoso.
Em todos os anos de não aceitação por parte de meu pai, ele teve que ouvir muitas coisas, que o magoaram, meu pai dizia coisas que deixavam Carlos muito triste, mas ele NUNCA respondeu, nunca revidou, nunca faltou com respeito com meu pai. Muitas pessoas diziam pra gente, que não sabia como ele aguentava aquilo tudo, e ele só tinha uma resposta: Eu AMO e por ela eu aguento isso tudo, um dia tudo vai ficar bem.
E hoje, eu paro pra pensar e percebo que eu, particularmente, não sei se aguentaria tudo o que ele aguentou, não sei se qualquer outro homem, passaria POR MIM o que ele passou.
Fora isso, ainda tivemos muitos problemas, tristezas, abdicamos de algo que talvez hoje, faria nossas vidas ainda mais feliz e diferente, mas no momento, fizemos o que era o certo e o melhor pra gente. E até hoje é assim, todos os passos que pretendemos dar, são bem “estudados”, fazemos tudo com muito planejamento, porque pensamos muito no futuro, no nosso e do(s) nosso(s) filho(s).
Como todos os casais, brigamos muito. Nossa vida está longe de ser um mar de rosas. Já tivemos crises terríveis, já pensamos em nos separar. Eu já dei muito trabalho a ele, corri o risco de perder tudo o de mais precioso que ele me deu, que foi o amor verdadeiro e sincero dele por mim. E ele, mesmo sabendo dos meus erros, das minhas falhas, esteve sempre ao meu lado, passou por cima, relevou muita coisa. O que me leva a ter a certeza – e na verdade nunca duvidei mesmo – do amor que ele tem por mim, pelo Bruno, o respeito e responsabilidade pelo significado da palavra família.
Muitas vezes, em meio às várias crises de raiva, de nervoso que tinha quando brigávamos, algumas pessoas, e dentre elas minha própria mãe dizia, que nunca eu iria encontrar um homem como ele, que devia dar valor, que devia agradecer a dedicação e o amor que ele tinha por mim. E naqueles momentos, eu ficava ainda mais irritada. Mas hoje, entendo perfeitamente o que elas diziam.
Posso até ter que viver sem ele, algum dia. Mas prefiro nem pensar nisso. Porque não consigo me ver sem ele hoje.
Como eu disse, nossa vida não é perfeita. Mas afirmo, com toda a certeza, de que este é o melhor momento que estamos passando. Este é com certeza, o melhor ano de nossas vidas. Amadurecemos juntos, tomamos decisões importantes juntos, quando fracassamos, quando perdemos algo perdemos juntos e o mais importante, tudo o que conquistamos, conquistamos juntos, e nossa maior conquista, o nosso bem mais precioso, o selo total de nosso amor, nossa vida, nosso trabalho, nosso empenho e perserverança está bem longe de ser quaisquer bens materiais que conquistamos neste tempo todo que estamos juntos, podemos viver sem isso tudo, mas não podemos viver sem Bruno!
Hoje, sabemos muito bem o que queremos pra nós, pro nosso futuro. Apesar de nós três, nos completarmos, a família ainda não está completamente completa e para o próximo ano pretendemos aumentá-la um pouco mais, aumentando ainda mais o sentimento de amor que sentimos um pelo outro e continuando a lutar, a cair, a prosperar e a aprender muito, JUNTOS!
PS: Não são 13 anos de casada hein gente. São 13 anos JUNTOS! De casados, temos 6 anos e meio!
Leia o post dos 12 anos, AQUI!