Jul 21 2010
Mãe
Não sei como começar o post, nem muito menos como terminar. Não sei se é um post carta, ou um post desabafo, desde domingo, não sei o que pensar, o que fazer, nem ao menos sei quem sou mais.
Só sei que domingo, certamente, de todos os dias, de todos os 33 anos que vivi, foi o dia mais infeliz, de toda a minha vida. Se outros dias infelizes virão? Não sei. Certamente sim. Mas neste momento, sinto que nunca senti uma dor física, que machuca minha alma, meu peito, como estou sentindo agora.
Sei que o descanso e a paz, eram necessários. Sei que 64 anos foram vividos, sofridos, foram felizes, tiveram importância pra vc mãe e pra todos nós. Mas não posso acreditar que tenha que ser esse o momento de você nos deixar. Pensei que o momento da nossa separação, quando vc se mudou pro interior e eu me casei tenha sido o mais difícil, porque quando aconteceu, senti que naquele momento, nosso cordão umbilical foi cortado, uma vez, que até então nunca havíamos nos separado, tanto por distância, quanto por tempo.
Mas domingo, percebi que eu estava enganada. Porque mesmo longe, mesmo distante, ainda assim eu podia te ver, te ouvir. Falar quando vc quando precisava de um conselho, até mesmo de uma receita, ouvir você reclamar, porque meu Deus, como você era rabugenta! E eu reclamava de vc reclamar tanto. Quantas vezes te disse isso? Que vc reclamava demais, que devia levar a vida mais na esportiva. Mas esse era o seu jeito. Você sempre foi assim. E agor, neste momento, eu queria TANTO poder ficar ao telefone com vc, por minutos sem fim, te ouvindo reclamar de tudo e de todos, porque estaria ouvindo sua voz, daria tudo por isso.
Queria poder ir te ver, passar mil dias com vc, e ainda assim, no momento de vir embora, ouvir você reclamar e começar a chorar, dizendo que era pouco, que iria sentir saudade de nós e que era pra eu cuidar bem de Bruno, não brigar, não bater, procurar entender, cuidar dele, agasalhar, não deixar com “qualquer um”. Pra não brigar com Carlos, pra não levar tudo tão a sério, pra não discutir por coisas pequenas, pra respeitar, pra ser amiga dele, companheira, porque ele me ama e que marido como ele não iria encontrar nunca mais.
Ai mãe.Juro que estou tentando entender, que Deus quis assim. Mas sinceramente, não consigo. Como é que Deus pôde te querer longe de mim, de nós todos. Você não podia ter ido agora. Você tinha só 64 anos, mãe. Você tinha seu aniversário de 50 anos, de casamento, no ano que vem, você tinha meu segundo filho, pra conhecer. Sua ansiedade era tão grande, senão maior que a minha.
Sinceramente, não sei se isso que estou sentindo um dia vai passar. Creio que não. Posso ficar melhor, posso tentar entender, ficar mais tranquila e serena. Mas não posso aceitar e sei que não vou conseguir aceitar o fato de que não vou mais te ver, falar com você, mãe.
Só espero de coração, que você esteja realmente em paz, descansando, tendo enfim, o descanso merecido, junto de Deus. E que olhe por nós, que esteja presente, nos acompanhando, zelando pela união da nossa família, que veio tão tarde, mas veio, que faça com que a fé não mingue dentro de nossos corações, que daí, de onde estiver, que nos ajude a realmente entender e aceitar que foi o melhor para você.
Ontem, lembrei de uma música linda, que vai me lembrar pra sempre de você. Não é a sua preferida, aquela que você pediu que fosse cantada pra você, quando você se fosse, ninguém conseguiu cantar. Mas ela foi junto de você, te acompanhando.
Sempre que ouvir esta música, vou me lembrar de você, pra sempre:
Balada De Uma Saudade
Composição: Kim/cesar/julio
Quando a noite chegar
E a chuva cair do céu
Eu sei que vou te procurar
Mas onde está você?
Tá tão vazio aqui
Não sei viver com essa solidão
Perdoa se eu chorar
É que a saudade dói demais
E a tua ausência só me traz
Lembranças e eu sei
Que faria tudo enfim
Pra ter você aqui, perto de mim
Mas se você quiser
Alguém pra te ouvir amor
Não precisa chamar, pois eu
Do teu lado estarei
E seja como for
Será assim pra sempre
o meu amor
Mesmo se eu não te ver mais
A saudade vai marcar
Em uma canção
Tua imagem no meu coração
Mesmo se eu não te ver mais
A saudade vai marcar
Em uma canção
Tua imagem no meu coração
Tua imagem no meu coração!
Ps: A música que minha mãe pediu para as netas cantarem pra ela, foi essa:
Eu Quero Apenas
Composição: Roberto Carlos / Erasmo Carlos
Eu quero apenas olhar os campos,
Eu quero apenas cantar meu canto,
Eu só não quero cantar sozinho,
Eu quero um coro de passarinho,
Quero levar o meu canto amigo,
A qualquer amigo que precisar.
(Refrão)
Eu quero ter um milhão de amigos
E bem mais forte poder cantar
Eu quero ter um milhão de amigos
E bem mais forte poder cantar
Eu quero apenas um vento forte,
Levar meu barco no rumo norte
E no caminho o que eu pescar
Quero dividir quando lá chegar
Quero levar o meu canto amigo
A qualquer amigo que precisar
(Refrão)
Eu quero crer na paz do futuro,
Eu quero ter um quintal sem muro
Quero meu filho pisando firme,
Cantando alto, sorrindo livre
Quero levar o meu canto amigo
A qualquer amigo que precisar
(Refrão)
Eu quero amor decidindo a vida,
Sentir a força da mão amiga
O meu irmão com sorriso aberto,
Se ele chorar quero estar por perto
Quero levar o meu canto amigo
A qualquer amigo que precisar
(Refrão)
Venha comigo olhar os campos,
Cante comigo também meu canto
Eu só não quero cantar sozinho,
Eu quero um coro de passarinhos
Quero levar o meu canto amigo
A qualquer amigo que precisar
O porque da música? Porque além de ela gostar muito de Roberto Carlos, minha mãe amava os amigos. Acreditava na amizade. Sempre nos ensinou que amigos valem ouro, amigos são família, amigos devem ser tratados como irmãos. E ela tinha muitos. Emocionante estar lá e ver a quantidade de amigos que foram se despedir dela, pessoas que eu nunca tinha visto, não conhecia, mas que nos disseram o quanto a amavam, o quanto ela era preciosa. Uma senhora, que ia na mesma igreja com ela, me disse: “sua mãe, era a nossa jóia, uma jóia preciosa. Era nossa querida”. Por isso, a importância de valorizar muito e amar, de verdade, nossos amigos.














