Ontem, por volta das 22:30hs, quando estava indo dormir (e eu comentei com as meninas no Twitter que ia dormir cedo, porque estava caindo de sono), meu telefone tocou, e eu estranhei, porque o horário não é o mais adequado para ligações “sociais”. Atendi e era meu irmão, pediu pra eu esperar, porque meu pai queria falar comigo, e quando meu pai começou a falar, eu desabei.
Na verdade, ele não falava, ele chorava, chamava pelo Bruno, queria falar com Bruno, me pedia pra ir buscá-lo, porque ele queria ficar aqui em casa. Não fosse a distância (500 km), teria ido, naquele instante. Mas procurei antes, entender o que estava acontecendo.
Aqui no blog, não cheguei a comentar, nem me lembro mais, mas há duas semanas, meu pai fez uma cirurgia na próstata, a laser, e já na sala de recuperação, começou a ter complicações, teve que voltar pro centro cirúrgico e ser operado novamente. Foi pra casa, aí teve hemorragia, a bexiga começou a prender, fora todas as dores das duas cirurgias.
Isso tudo e mais alguns outros problemas familiares, acredito que tenha desencadeado esse mal estar que ele teve, a queda de pressão, e a sensação de que o coração iria “explodir”. Tudo isso, foi o que ele me contou em meio a choro, gemidos, gritos, enfim, ele estava em total desespero.
E eu, fiquei aqui, completamente sem chão. Meu pai é durão! Super forte, tem 73 anos e mesmo aposentado, trabalha até hoje. Caiu, quebrou o femur, tem um placa enorme no lugar do osso e em 25 dias estava andando, depois de um mês já entrava em ônibus e tudo o mais. E a primeira e última vez, na minha vida, que vi meu pai chorando, foi quando minha irmã morreu, (de meningite que agravou o tumor que ela tinha no cérebro e nem sabíamos) em 2000, com 28 anos de idade.
E ontem, ouvindo o choro dele, o lamento, entrei em total desespero. Depois que ele desligou, ainda liguei pra lá umas 4 vezes. Carlos ligou, perguntou se queria que fôssemos até lá pra buscá-lo, mas todos concordamos que não seria o ideal pra ele, viajar agora, ainda em fase de recuperação das cirurgias.
Passamos a noite em claro, eu e Carlos, que teve que sair para trabalhar as 6 da manhã, sem ter dormido a noite toda.
Logo de manhã liguei pra ele, e ele na mesma. E passei a manhã toda assim. No inicio da tarde, liguei novamente e a voz dele, já estava bem melhor. Minha mãe veio falar comigo ao telefone, e me disse que meu irmão tinha buscado minhas sobrinhas pra passar um tempo com ele. Na verdade, existiu um desentendimento entre meu irmáo e esta sobrinha e isto estava deixado meu pai triste demais, porque com o desentendimento, minha sobrinha já não ia mais almoçar com eles todos os domingos, como fazia sempre.
Graças à Deus, meu pai está melhor. Ainda não está 100%, mas sinto pela voz dele, que ele está melhorando aos poucos.
Como escrevi para os grupos, avisando as meninas que ficaria ausente, contei, de forma resumida um desentendimento que tive com este meu irmão, da última vez que fui visitar meus pais, e recebi muitos e-mails me dando vários conselhos, sugestões e pedindo que eu relevasse, que se tivesse que ir pra lá, ver meu pai, era pra deixar a mãgoa de lado. E sinceramente, à medida que fui lendo os e-mails, falando com as meninas pelo telefone (na verdade mais chorando do que falando), fui percebendo que realmente, a mágoa que estava sentindo, a briga que tive com meu irmão se tornava uma coisa tão pequena comparada a hipótese, o pensamento, e o medo absurdo que estava sentindo de perder meu pai.
E então, liguei novamente, conversei com minha mãe, pedi perdão por ter discutido com meu irmão na frente dela, mesmo ela não tendo sido o motivo da discussão. Falei que havia ficado chateada por ela não ter sido neutra, mas ter se posicionado a favor dele. Enfim, falei tudo o que estava sentindo, e ela também. Choramos muito, pedimos perdão uma pra outra, e aí sim, meu coração se acalmou.
Ainda vou conversar com meu irmão, quero fazer isso com calma, mas sinceramente, a mágoa que estava sentindo dele, também passou. Estou muito mais tranquila, aliviada e sinto que tirei um peso enorme das costas.
Aí agora, mais calma, estou aqui pensando. Como a gente tem que levar certas “pancadas” na vida pra deixar de pensar no próprio umbigo né? Pra valorizar mais as pessoas, pra perceber que em um minuto podemos tê-las ao nosso lado e no minuto seguinte, elas podem partir, e aí podemos ficar com peso na consciência, por não termos dito o quanto as amamos, o quanto são importantes pra gente e na vida da gente. Soa até hipócrita, porque de repente, alguém pode ler, e dizer: “teve que acontecer isso tudo pra ela deixar o orgulho de lado e se achar no direito de ‘perdoar’ alguém”. E na verdade, caso alguém pense isso, não está errado. Foi necessário isso tudo mesmo, pra eu deixar o orgulho de lado e pedir perdão e decidir tirar de dentro de mim a mágoa, e não tenho vergonha em admitir isso. Sou humana, tenho mil defeitos, erro muito, acredito, que todos nós erramos sempre, mas podemos aprender também, com nossos erros e tropeços. E foi o que fiz. Eu consegui pedir perdão, você já tentou? Sente mãgoa de alguém que gosta muito, mas acha que não consegue “se livrar” desse sentimento? Que tal tentar? De vez em quando, precisamos tomar a frente, precisamos tomar a atitude. Porque de repente, se protelarmos demais, deixando sempre pra depois, o depois pode não chegar nunca, e aí, aí com certeza, será tarde demais.
Continuo preocupada com meu pai, mas estou orando, pedindo à Deus que faça com que ele fique bom, se for da vontade DELE. Que dê calma a ele, que dê paciência, para que ele possa passar por isso tudo e se recuperar.
Quero agradecer novamente à todas que me ligaram, enviaram e-mails, SMS’s, que mandaram lindas mensagens por e-mail e por toda as orações. E peço que continuem orando, por favor. Oração nunca é demais, e é sempre bem vinda.
Assim que tiver novas notícias, venho atualizar o blog.
Um beijo para todos!
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