Sep 19 2008

Abraçar ou Esganar?

Published by Val Gouveia at 14:06 under Bruno, Família, Momentos Especiais

Ontem estava deitada com o Bruno, conversando sobre o dia dele na escola, sobre os amigos (fazemos isso todos os dias), aí falei que ia fazer uma brincadeira com ele, iria fazer uma pergunta e ele teria que dar 3 respostas.

Aí fiz a primeira pergunta que era: “O que você mais gosta que eu faça para você ou com você”?

E ele logo respondeu, ou melhor, cruzou os dois bracinhos em volta do corpo e deu um sorrisão todo encabulado, aí falei que não valia que ele tinha que responder, falando, então ele disse: “o que mais gosto é quando você me abraça”, “também gosto quando você faz comida pra mim”, “e depois gosto quando você me deixa ir pra escola de manhã e ficar lá o dia todo”.

Até aí, nesta parte, eu já estava me desmanchando toda, só por causa da primeira resposta, a do abraço, e dei logo um abraço de urso nele.

Então fiz a segunda pergunta: “O que você não gosta que eu faça?”

E ele: “Não gosto quando você chora”. E eu perguntei pra ele porque ele não gosta. E ele: “porque eu fico com vontade de chorar também, não gosto de te ver chorando”. Aí é claro que ele ganhou mais um abração de urso. Depois perguntei as outras duas coisas e ele respondeu: “não gosto quando você grita comigo, porque eu fico com medo de você”, “não gosto que você e o papai briguem”.

Bom, aí falei pra ele, que de vez em quando, ele vai me ver chorando, porque eu também sinto dor, fico triste às vezes, mas que é uma coisa normal, quanto aos gritos que dou com ele, na maioria das vezes, isso pode ser evitado também, se ele se comportar mais e me obedecer, mas prometi que vou tentar ser mais tolerante também, e quanto a não brigar com o papai, também podemos tentar, mas somos casados, de vez em quando não concordamos com algo e acabamos discutindo, e dei um exemplo de quando ele acaba se desentendendo com um amiguinho, brigam, mas depois voltam a conversar e a brincar, porque se amam, que era a mesma coisa entre eu e o papai, a gente discutia de vez em quando, mas depois ficava tudo bem, porque o amor acaba sendo sempre maior que os desentendimentos.

Sei que depois engrenamos numa conversa sobre a ausência do pai dele, ele quis saber porque Carlos também tinha que trabalhar à noite. Expliquei que precisa, porque para tudo o que precisamos comprar é necessário ter dinheiro, falei que quando vamos ao mercado, fazer compra (comprar comida, como ele sempre diz) precisamos ter dinheiro, então por isso papai tem que trabalhar tanto tempo e ficar longe por alguns dias. E acho que ele, pelo menos por enquanto, entendeu, porque disse: “É, tem que ter dinheiro né mãe, pra comprar brinquedo também né”? Falei que sim, que algumas vezes o dinheiro dá pra comprar brinquedo sim, mas quando não dá, ele tem que tentar entender, porque alguns brinquedos precisam de muiiiiiito dinheiro e nem sempre o que a gente tem é o suficiente.

No fundo, mesmo com o coração em pedaços por ele ter tocado no assunto da ausência do Carlos, me senti “satisfeita”, porque ele conseguiu falar sobre isso, sei de alguns casos de crianças que se rebelam, ficam arredias, nervosas, mais desobedientes pela falta que o pai ou a mãe fazem, e acabam não falando sobre isso, acabam expressando de outra maneira, então por isso, fiquei mais tranquila, porque Bruno perguntou, demonstrou o desagrado dele e eu pude explicar e percebi que ele entendeu ou então está tentando aceitar isso tudo.

Acho que isso tudo aconteceu, ele acabou falando sobre porque na quarta-feira ele veio da escola em meio a uma crise terrível de choro, quando chegou em casa perguntou do pai, e claro, Carlos não estava, aí ele chorou mais ainda, dizendo que estava triste, porque estava sentindo muito a falta do pai, tive que ligar pro Carlos falar com ele, mas assim que ele ouviu a voz do pai, chorava ainda mais e dizia que não gostava mais dele, porque ele nunca vinha pra casa. Coloquei no viva voz e conversamos com ele, mesmo ele tentando tapar os ouvidos, pra dizer que não queria ouvir. Aí ontem, ele acabou conversando sobre isso.

Agora pra descontrair um pouco, o porque deste título no post????

Todos os dias, levo Bruno e Giovanna (filha de uma amiga do andar de baixo do meu, que está há uma semana de ter a Melissa e que já não pode andar muito) pra escola. E busco.

Aí ontem, indo pra escola, a Gi começou a me contar que a professora dela disse que a Ju (mãe dela) estava linda, gorda (acho que ela quis dizer com a barriga de grávida linda) e o Bruno, que estava perto, começou a bater um dos pés no chão, balançou a cabeça pros lados (tipo fazendo pirraça) e disse: “Minha mãe também é gorda tááááááááááááá”

Como diz a Lu Brasil: MIMATA…ahahahahahahahahahahahaha

Se ele queria me elogiar, não qúeria ficar atrás no elogio, é, porque eu acho que ele entendeu como um elogio e não se conformou, quis dizer que a mãe dele também era alguma coisa de boa….ahahahahahhaa, poxa, pelo menos podia ter dito APENAS que eu era linda né? Precisava dizer que eu era sou gorda?????

Falei pra Bruno que a próxima vez que ele me chamar de gorda, fica uma semana sem assistir TV, desaforo isso…ahahahahahahahahahaha

São nessas horas que não sei se abraço ou esgano!

Genteeeeeeeee, agora só pra terminar este post imensooooooo, amanhã vou pra feira sim tá, ia descer pro litoral, mas falei pra Carlos que iria poder ficar tão pouco tempo na feira, que não ia conseguir ver todo mundo, porque teria que sair cedo de lá, e acabamos deixando pra descer no outro findi, então amanhã vou simmmmmmmm, estou super ansiosa, essa noite nem durmo direito…rsrs. Ahhhhhhhhhhh, depois venho contar uma novidade supppppperrrrrrrrrrr!

Beijo e ótimo final de semana pra todo mundo, se tiver coragem e tempo venho postar antes de segunda, tá!

10 Comentários

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10 Comments »

Comment by Chelly
2008-09-19 15:13:09

Ai Val, que fofo esse seu filho viu… Gostei das respostas dele…
Mas a parte do ” minha mãe tbm é gorda tá” foi hilario kkkkkkkkkk

Bom amiga, na verdade o que me chamou a atenção mesmo, foi o fato dele sentir falta do pai…
Olha Val, eu passei minha infância com babás… Pq minha mãe trabalhava muito, e meu pai viajava muito (a trabalho) e eu ficava e me sentia mto só, sempre me queixava com minha mãe, e ela dizia que era bobagem, pra eu largar de ser complicada e etc… Eu sempre fui mto carente, e durante MUITOS anos achei que minha mãe não me amava, por não ter tempo pra mim… Fui uma adolescente complexada (não sei como escreve) e traumatizada… E dizia pra mim mesma, que qdo eu tivesse um filho(a) jamais trabalharia tanto… Não que o trabalho não seja importante… É sim, mas eu não qria oferecer pra meu filho o que minha mãe me ofereceu… minha mãe sempre quis dar o melhor pra mim, a melhor escola, a melhor roupa, o melhor sapato e eu realmente tinha o melhor… Tinha carro com motorista pra me levar e buscar no colégio… Mas eu não tinha o que eu realmente queria e precisava… de AMOR DE MÃE, de conselho de mãe, de carinho de mãe, de atenção de mãe… Muito dificil eu dizer isso… Mas meu coração mandou eu escrever!
Hoje, procuro ficar o maximo com meu filho, minha familia me questiona sobre eu não trabalhar… Mas Ney ganha o suficiente, e Enzo tem o “melhor” dentro das nossas condições… e sabe o que ele tem de melhor? ALEGRIA…
Amiga, sei que não temos tanta intimidade, mas tenta ver uma forma de consiliar o tempo do Carlos com o do Bruno… “Traumas” de criança são pra sempre Val… Te falo isso por ter até hj meus “traumas” de infância… Eu preferia mil vezes andar descalça do que não ter tido minha mãe e meu pai por perto nos momentos mais importantes…
Olha, acho que eu só não fui pro lado das drogas, pq eu tinha mto medo (tenho até hj) sou medrosa… Mas eu era muito rebelde, me sentia a pior pessoa do mundo, e achava que tudo que acontecia era minha culpa!

Ai Val, perdão pelo post enorme… Mas eu precisava falar, se vc se ofender com algo que eu disse, pode apagar tá flor! Sem o menor problema!
Dá um beijão no Bruno por mim… Ele é mto gostosinho!

 
Comment by Maria Ines
2008-09-20 02:56:30

Olha, sempre tive pais extremamente carinhosos e presentes, embora a luta fosse grande, afinal éramos cinco filhas e só o meu pai trabalhava fora, o aperto financeiro era enorme, mas, o que ficou de verdade, foram os momentos com meus pais e família, em geral. Muito carinho, muita conversa, muita saudade boa de meu pai e de uma de minhas irmãs que já morreram…
Bjn

 
Comment by Jakinha
2008-09-21 01:32:37

Olá Val…
Há tempos não venho dar uma “fuxicada” aqui no seu blog…
Eu até assinei pra não perder os sorteios de kits…
Gostei muito deste post e pela segunda vez, me serviu de inspiração e fis este teste com minha filha e meu esposo… confesso que não foi tão fofo e engraçado como com você mas foi interessante… pena que meu filhotinho estava dormindo … mas acho que ele não saberia responder pois ainda tem 3 anos…
Muitas pessoas acham que as crianças não tem problemas ou que não sabem nada…
Grande engano, pois elas sentem e pressentem mais do que nós… sofrem até mais pois não expressam isso… Temos mesmo que dar importãncia ao diálogo com as crianças… explicar, fazê-las entender que o mundo adulto é muito comlicado…
Dar respostas é muito importante!
Parabéns pelo lindo post e muito bem escrito!

 
Comment by Dani Alencar
2008-09-21 03:17:29

Oi Valzinha… saudades… como vc tá?!
Vc vai à feira é? Aliás… a essa hora já foi né rsrs
Eu fui na quinta!
Bjus!

 
Comment by Lu Marinho
2008-09-21 03:34:07

Que bonitinho, Wal!! Que bom que ele falou o que sente, fica bem mais fácil contornar a situação.
Adorei te conhecer pessoalmente!!

bjsss

 
Comment by Ana Paula
2008-09-21 15:28:16

Sem comentários… risos… essa foi ótima… quanto a falta do pai nada mais que natural né? vc como mãe ta certissima , acho linda a relação de vcs e do seu jeitinho de tirar as
coisas dele… dar um jeitinho dele falar
beijos,, esse ,menino é lindo demais

 
Comment by Keka
2008-09-22 01:45:27

Ai Val que bonitnhuuu, fico imaginando ele de bgraços cruzados falando “Minha mãe tbem é gorda!” kkkkk tadinho, ele achou que era como se vc estivesse grávida e não ia deixar pra menos né?kkkkk Quanto ao diálogo que vc teve com ele, acho super importante, incrível como vamos conhecendo as coisas com o tempo em que vamos acompanhando seu blog. O Bruno me parece muito compreensivo e isso é ótimo para a formação dele. Continue assim miga, todas essas dificuldades vão passar! Pena que não fui na Feira!!! Buáááá

 
Comment by Deca
2008-09-22 12:35:23

Adorei o seu post.. Achei muito importante ele ter conseguido se abrir com vc.. Sabe. isso é uma vitória.. nem sempre conseguimos fazer nossos filhos desabafarem.. Adorei!!Com certeza ele está mais leve e consegue entender melhor as coisas!! Sem te conhecer já posso dizer: Vc é mãe nota 10!!!!Bjks Deca

 
Comment by Bianca
2008-09-23 00:59:34

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! Que barato! Crianças são demais!

 
Comment by Andréia Menegassi
2008-09-23 08:57:16

Acho admiravel sua relaçao com o Bruno, Val! Parabéns pela forma com que vc lida com essas situaçoes… bom seria se mais maes fossem assim…
Agora essa da “minha mae tb é gorda” foi de doer, kakakaka! Essas cças sao demais!
Bjokas

 
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