Aug 15 2009
Um Anjo No Céu
Prometi vir postar ainda esta semana sobre as ganhadoras do prêmio pelo layout e as novas guest’s para o meu CT, mas infelizmente, não deu tempo.
Esta semana foi super tumultuada em todos os sentidos. E ontem, pra completar a maré de acontecimentos ruins, perdemos um ente querido. Na verdade, uma priminha do Carlos, que mal completou 4 anos, faleceu ontem.
Ela tinha câncer, todos sabíamos que o risco era grande e que muito provavelmente este dia fatídico chegaria, mas sinceramente, por mais que soubéssemos disso tudo, ninguém estava preparado. Como é que uma mãe pode estar preparada para enfrentar a perda de uma filha? Como é que a família, consegue concatenar as idéias quando olha praquele pequeno caixãozinho branco e vê aquela criança tão linda lá, deitada dentro dele? Que perspectivas a gente pode ter para o futuro? Vim no caminho pra casa pensando que a vida da gente ao mesmo tempo que vale MUITO, muitas vezes, acaba valendo NADA.
Terrível vivenciar o desespero da mãe dela, e do irmãozinho de 5 anos que chegava perto do caixão, pegava na mãozinha dela e pedia: “acorda Gabi, vamos brincar. Levanta daí, acorda”. E depois ver a mãe dizendo que agora ela era uma estrelinha que ele veria no céu. E ele, com sua ingenuidade de 5 anos, respondendo: “tudo bem, eu vou pegar uma linha bem grande, jogo lá pra cima e puxo ela de volta pra gente, mamãe”.
Como ouvir, ver isso tudo sem se abalar? Sinceramente, eu desabei, literalmente. Pensei em tudo, pensei em Bruno, pensei na importância que ele tem pra mim e cheguei à conclusão que mesmo tentando me colocar no lugar dela (também Valéria, tia do Carlos), ainda assim não poderia imaginar nem de longe a dor do sofrimento dela. Só sei que se fosse comigo, provavelmente não suportaria.
Pela primeira vez, em 13 anos de convivência, vi um dos meus cunhados, no alto de seus 1.98m chorando feito uma criança, de soluçar.
E mais uma vez, vi Lucas, o irmãozinho mais velho da Gabi, sair correndo da sala do velório com uma rosa nas mãos, gritando em desespero. Aí fui atrás dele, sem nem ao menos saber o que ia dizer a ele, eu e minha cunhada, e começamos a falar muito carinhosamente com ele. No início, ele não queria conversa, depois disse que estava se sentindo muito triste, pela irmã. Conversamos, tentamos explicar, mas sem esperar que ele entendesse, claro, que a irmã agora era um anjo, que estaria sempre junto dele, em todos os momentos e que era pra ele se acalmar, porque ela já não sofria mais (porque meu Deus, como ela sofreu!). Então perguntamos se ele queria colo, e ele jogou os bracinhos em nossa direção. Ai gente, sinceramente, não sirvo pra essas coisas, fico mole, perco completamente o chão.
Carlos ficou forte até o momento em que todos estavam na sala do velório (ele não conseguiu entrar), mas quando viu retirarem o caixão, também saiu de sopetão correndo e chorando muito. Chorava feito criança, soluçava muito e eu não sabia exatamente o que fazer, se seguia para o local do enterro ou ficava com ele. No final, ele pediu que eu fosse com a família dele acompanhar o enterro.
Enfim, triste demais. Estamos todos muito abalados. Infinitamente tristes.
Sei que com o tempo a dor diminui. Mas acho que nunca mais esqueço o dia de hoje. Foi o primeiro velório infantil que acompanhei, acho que pelo fato de também ser mãe, isso acabou me marcando e chocando demais, realmente, é algo inesquecível.
Gabriela, em novembro do ano passado, começou com fortes dores de cabeça e apareceu um caroço no rostinho dela do lado direito. Foi levada ao médico, feitos os exames, e descobriram que ela tinha um tipo raro de câncer, que por já ter se enraizado nos ossos da face e cérebro, a cirurgia, já não era mais viável. Assim, de maneira imediata mesmo. Ficou internada um tempo, fez quimio, radio, fez tudo o que foi possível fazer, pelo menos para que ela tivesse o mínimo possível de dor. E assim foi. Mesmo com dor, mesmo fraquinha, ela brincou até o fim. Brincava como uma criança “normal”, corria, comia, bebia e sorria, sorria muito.
Mas infelizmente, ontem foi o momento de ela partir. E o que vai ficar na memória de todos, mesmo dos que conviveram pouco como ela, como eu, por exemplo, foi o que uma das tias contou pra gente, em uma das vezes que ela foi ver a Gabi e chorou ao ver o quanto ela estava debilitada. Gabi olhou pra ela e disse: “não se preocupe titia, eu vou ficar bem, você não vê como sou forte? Logo eu estarei bem”.
E está. Agora está! Voltou, para retomar o seu lugar, lá no céu! Voltou pura, assim como veio, e voltou livre de todo o tipo de sofrimento terreno, toda a maldade humana.
Nós, aqui, sofremos, choramos e sentimos muita, muita saudade.
Eu e Carlos, vamos guardar pra sempre a imagem daquela menina pequenina, com as bochechinhas rosadas e aqueles tufos de cabeleira preta, que ela tinha ao nascer.
**** E amanhã, faz exatamente um ano que Luis, esposo de Grazi também se foi. A dor pode até ter diminuído, mas não sumiu. Falei há pouco com Grazi e ela está triste, hj já chorou bastante. Então vamos orar por ela?! Pra que mais uma vez, Deus acalante seu coração.

Puxa miga é a primeira vez que choro ao ler um post seu… Que a Gabi encontre os anjinhos e que sua família possa ser confortada. A dor da doença finalmente acabou mas é preciso encontrar forças para seguir em frente e conviver com a dor da perda. Que Deus ilumine a todos.
Força pra vcs, Val… nem tem o que dizer num momento desses… me emocionei de verdade…
Triste demais Val.
Depois que viramos mãe, nós nos sentimos um pouco mãe de cada criança e deve ser uma dor insuportável perder um filho.
Que Deus conforte todos vcs e principalmente a mãe da Gabi.
Me cortou o coração. Como umbandista sei que a vida não termina com a morte do corpo carnal, mas como mãe não consigo deixar de me entristecer. Melissa completou 4 anos e se ela me deixasse acho que eu não suportaria.
A dor não diminui infelizmente, mas a gente se acostuma. Perdi um filho antes da Melissa, já fazem 6 anos que isso aconteceu, mas continua doendo muito.
Espero que as alegrias que o Bruno te traz todos os dias possam diminuir a dor que vocês estão sentindo.
Estou orando pela Grazi também. Como é difícil perder entes queridos…
Nossa vida vale muito, mas é TÃO frágil…
Beijos!!!
Val, meus sentimentos para vcs. Nossa, eu não consigo nem imaginar tudo isso que vc relatou… Que Deus conforte os seus corações e todos da família da Gabi…
bjks